Mais de 100 dicas sobre MND
Após Podcast Arena Infra, Sérgio Palazzo disponibiliza TR-46 e reforça mais de 100 dicas sobre MND
Documento técnico sobre Mini HDD traduzido por Sérgio Palazzo reúne cálculos, orientações e boas práticas para Perfuração Horizontal Direcional; participação no Arena Infra aproxima conhecimento técnico de uma nova geração de profissionais
Os Métodos Não Destrutivos (MND) vivem um momento importante no Brasil. A expansão do saneamento, a modernização das redes subterrâneas e a necessidade de executar obras com menor interferência nas cidades aumentam a demanda por tecnologias como a Perfuração Horizontal Direcional — HDD. Mais de 100 dicas sobre MND
Mas o crescimento do mercado traz também uma responsabilidade: profissionalizar cada vez mais quem projeta, fiscaliza, opera e executa essas obras.
Foi justamente esse debate que ganhou espaço em uma edição do Podcast Arena Infra, com a participação de Sérgio Palazzo e do Eng. Leonardo Neves, reunindo experiência técnica, prática de campo e uma discussão sobre o desenvolvimento dos Métodos Não Destrutivos no Brasil.
Durante o podcast, Palazzo assumiu um compromisso com os profissionais que acompanhavam a conversa: disponibilizar a tradução do TR-46, documento técnico dedicado ao Mini HDD.
Depois da participação, ele compartilhou o material e explicou:
“No podcast sobre o MND prometi a disponibilização do TR 46, um trabalho sobre o MINI HDD, com tudo.”
Segundo Palazzo, o documento reúne fórmulas de cálculo utilizadas em HDD e orientações técnicas que ele considera importantes para complementar aspectos ainda não contemplados pela atual norma brasileira.
A iniciativa representa algo maior do que simplesmente compartilhar um PDF.
Representa transferência de conhecimento entre gerações da infraestrutura brasileira.
O que é o TR-46?
O documento disponibilizado é o TR-46 — Diretrizes para o Uso de Mini Perfuração Horizontal Direcional para Instalação de Tubulações de Polietileno de Alta Densidade, desenvolvido para o Plastics Pipe Institute — PPI.
O relatório trata da instalação subterrânea de tubulações de PEAD por meio do Mini HDD e percorre praticamente todo o processo de engenharia relacionado à execução.
Entre os assuntos abordados estão investigação preliminar, localização de redes existentes, segurança, meio ambiente, seleção da tubulação, cálculo das cargas de puxada, geometria do furo, posicionamento da perfuratriz, furo piloto, fluidos de perfuração, localização e direcionamento, alargamento, puxada, inspeção, testes e elaboração do as built.
O próprio relatório define a Perfuração Horizontal Direcional como uma forma de tecnologia não destrutiva, concebida para minimizar danos à superfície e ao subsolo, reduzir necessidades de restauração e diminuir interferências no trânsito e nos serviços existentes.
Isso ajuda a explicar por que o HDD ganha importância justamente quando as cidades se tornam mais densas e complexas.
Sérgio Palazzo traduziu o documento com autorização do PPI
Existe um aspecto especialmente relevante para os profissionais brasileiros.
A versão compartilhada foi traduzida por Sérgio A. Palazzo com autorização do Plastics Pipe Institute. Essa informação consta no próprio documento.
Ao final do TR-46, Palazzo também registra que se trata de uma tradução livre autorizada pelo PPI e recomenda que, para cálculos, seja consultada a publicação original em inglês.
Isso demonstra uma preocupação importante: disseminar conhecimento sem substituir a responsabilidade técnica do engenheiro e a consulta às referências originais.
É justamente esse comportamento que ajuda a desenvolver um mercado mais maduro.
TR-46 e NBR 17004: um debate que precisa continuar
Na mensagem enviada após sua participação no Podcast Arena Infra, Palazzo chamou atenção para outro ponto:
Segundo ele, o TR-46 contém orientações que ainda não estão presentes na atual NBR 17004, e há expectativa de que esses assuntos sejam considerados em futura revisão da norma pela comissão responsável.
Esse posicionamento é coerente com a própria nota de abertura da tradução.
No documento, Palazzo destaca especificamente que a norma brasileira não aborda algumas aplicações envolvendo condutos livres de esgoto e drenagem com baixas declividades, um tema particularmente delicado porque essas redes dependem de controle geométrico e declividade.
Existe aqui uma discussão técnica extremamente importante para o saneamento brasileiro.
O HDD é uma tecnologia poderosa, mas precisa ser utilizado dentro de seus limites.
E quanto mais complexa a aplicação, maior precisa ser o nível de engenharia envolvido.
HDD não é apenas operar uma perfuratriz
Esse talvez seja um dos maiores ensinamentos do TR-46.
Uma obra de Perfuração Horizontal Direcional não começa quando a haste entra no solo.
Ela começa antes.
Com investigação.
Com conhecimento do subsolo.
Com localização de interferências.
Com estudo do solo.
Com planejamento da trajetória.
Com escolha correta da tubulação.
E com profissionais capacitados.
O relatório destaca que é essencial conhecer as redes subterrâneas existentes, incluindo sua natureza, localização e profundidade, antes de iniciar uma instalação.
O material também aborda conceitos de Engenharia de Redes Subterrâneas — SUE, estabelecendo diferentes níveis de qualidade da informação sobre as interferências existentes. Nos pontos críticos, a orientação chega à exposição física da rede para confirmar precisamente sua posição.
Isso reforça uma mensagem que o setor precisa repetir:
MND não significa trabalhar sem conhecer o que existe no subsolo.
Muito pelo contrário.
Quanto menos se escava, maior precisa ser a capacidade de enxergar, interpretar e controlar aquilo que está abaixo da superfície.
Navegação é uma das partes mais importantes do HDD
Outro ponto destacado por Palazzo em sua nota é o controle direcional.
No HDD, a trajetória é construída principalmente durante o furo piloto.
O TR-46 explica que, durante essa etapa, o localizador acompanha o avanço da cabeça de perfuração e transmite informações ao operador para que sejam feitas as correções necessárias no caminhamento.
O documento recomenda acompanhamento frequente da posição da cabeça e determina que, se a comunicação entre operador e localizador for perdida, a perfuração deve ser interrompida até que ela seja restabelecida.
Esse trecho é importante porque ajuda a mostrar que existe uma profissão altamente especializada dentro do HDD:
o navegador ou localizador.
Não basta saber ligar e movimentar a máquina.
É necessário compreender profundidade, inclinação, direção, interferências, raios de curvatura e comportamento da coluna de hastes.
Cálculo também faz parte da perfuração
Ao compartilhar o documento depois do podcast, Palazzo destacou que nele estão fórmulas utilizadas nos cálculos de HDD.
E isso aparece claramente ao longo do TR-46.
O relatório trata, por exemplo, de dimensionamento da tubulação em função da profundidade, esforços de instalação e carga de pullback, além da influência das curvas previstas e não previstas no caminhamento.
Há inclusive uma metodologia para estimativa da força de pico aplicada à tubulação durante a puxada, considerando comprimento do furo, flutuabilidade e curvaturas acumuladas.
Isso reforça uma visão defendida também pelo Eng. Leonardo Neves:
HDD precisa ser tratado como engenharia, e não simplesmente como operação de máquina.
Fluido de perfuração também é engenharia
Outro assunto frequentemente subestimado é o fluido de perfuração.
O TR-46 explica que os fluidos possuem diferentes funções: remover o material cortado, estabilizar o furo, auxiliar a escavação, lubrificar o ferramental e a tubulação, reduzir torque e esforços de puxada e resfriar componentes da cabeça de perfuração.
Pressões inadequadas também podem gerar problemas.
O documento alerta para retornos inadvertidos de fluido, levantamento da superfície e outras ocorrências associadas à pressão excessiva, indicando a importância de monitoramento durante a execução.
Portanto, falar de HDD também significa falar de geotecnia, reologia, pressão, volume e comportamento do solo.
A regra do alargamento chama atenção
Outro conteúdo prático presente no TR-46 está relacionado ao alargamento.
O documento estabelece como referência que o furo final tenha pelo menos 50% a mais que o diâmetro externo da tubulação a ser instalada.
Em determinadas situações, principalmente com diâmetros maiores, o documento recomenda que o alargamento seja realizado progressivamente em diferentes etapas, ajudando a reduzir riscos relacionados à pressão dos fluidos, vazios, recalques e manutenção da trajetória.
São detalhes como esse que demonstram por que a experiência prática precisa caminhar junto com literatura técnica.
Segurança e qualificação precisam acompanhar o crescimento do mercado
O TR-46 também é enfático quanto à qualificação.
O relatório orienta que operadores de Mini HDD sejam qualificados e que trabalhadores envolvidos na operação tenham treinamento teórico e prático, principalmente em questões relacionadas à segurança.
Essa é uma discussão diretamente ligada ao trabalho que o Arena Infra vem desenvolvendo.
Com o aumento das obras de saneamento e infraestrutura subterrânea no Brasil, não basta aumentar o número de máquinas.
É necessário aumentar o número de profissionais preparados.
Operadores.
Navegadores.
Engenheiros.
Supervisores.
Projetistas.
Profissionais de fluidos.
Soldadores de PEAD.
Técnicos de localização.
Fiscalização.
Gestores de obra.
É todo um ecossistema profissional que precisa crescer junto com o mercado.
Sérgio Palazzo e Leonardo Neves: conhecimento que conecta gerações do MND
A participação de Sérgio Palazzo no Podcast Arena Infra ao lado do Eng. Leonardo Neves ganha ainda mais significado quando resulta na disponibilização de um documento como o TR-46.
De um lado está a experiência acumulada, o estudo das referências internacionais e a contribuição histórica de profissionais como Palazzo para a disseminação das boas práticas do MND no Brasil.
Do outro está uma geração que vem trabalhando para ampliar o alcance desse conhecimento.
Leonardo Neves vem utilizando obras, conteúdo digital, eventos, workshops e demonstrações práticas para aproximar mais profissionais — principalmente jovens engenheiros, técnicos e operadores — dos Métodos Não Destrutivos.
São movimentos complementares.
Um conhecimento construído ao longo de décadas precisa ser preservado.
Mas também precisa ser transmitido.
Arena Infra: conhecimento técnico precisa chegar às pessoas
Essa é justamente uma das principais propostas do Arena Infra.
Aproximar quem domina determinado conhecimento de quem está entrando ou crescendo no mercado.
Quando um especialista como Sérgio Palazzo participa de um podcast e posteriormente disponibiliza gratuitamente um documento técnico que pode ajudar engenheiros, operadores, navegadores e empresas, cria-se um ciclo positivo de conhecimento.
O conteúdo não termina no podcast.
Ele continua na obra.
Continua no estudo.
Continua no treinamento.
E pode ajudar na formação da próxima geração de profissionais da infraestrutura.
Por isso, o Arena Infra procura conectar conteúdo digital, eventos presenciais e demonstrações práticas de tecnologias relacionadas a redes subterrâneas, como HDD, PEAD, termofusão, eletrofusão, georadar, vídeo inspeção e outras soluções de MND.
Superdrill leva esse conhecimento para o campo
A Superdrill, especializada em Métodos Não Destrutivos, representa a conexão entre todo esse conhecimento e a realidade das obras.
Porque existe uma diferença importante entre conhecer uma tecnologia e dominá-la em campo.
Cada solo muda.
Cada interferência muda.
Cada trajetória possui suas particularidades.
Cada diâmetro exige planejamento.
Cada travessia traz riscos específicos.
E é justamente na execução que projeto, máquina, navegador, operador, fluidos, ferramentas e tubulação precisam funcionar como um único sistema.
O desenvolvimento do MND no Brasil depende de empresas que enxerguem a perfuração dessa maneira: não como um simples serviço de máquina, mas como uma especialidade de engenharia subterrânea.
O “as built” também faz parte do MND
Outro ponto atualíssimo do TR-46 é a documentação da rede executada.
O relatório determina que os desvios horizontais e verticais sejam registrados durante a construção e recomenda a manutenção de registros da operação.
Ao final, a localização da tubulação instalada deve ser entregue ao proprietário da rede, permitindo a produção do as built, ou registro de como a infraestrutura foi efetivamente construída.
Isso também faz parte da modernização das cidades.
Não adianta executar uma rede tecnologicamente avançada e deixar para a próxima geração uma infraestrutura sem cadastro confiável.
MND também significa rastreabilidade.
O futuro do MND brasileiro será construído por pessoas
A disponibilização do TR-46 após o Podcast Arena Infra traz uma mensagem importante.
A tecnologia é fundamental.
As máquinas são fundamentais.
As normas são fundamentais.
Mas o desenvolvimento dos Métodos Não Destrutivos depende principalmente de pessoas dispostas a compartilhar conhecimento e de profissionais interessados em aprender.
Sérgio Palazzo representa uma trajetória importante na construção e disseminação do conhecimento técnico relacionado ao HDD.
O Eng. Leonardo Neves vem trabalhando para ampliar essa discussão, aproximando o MND de obras, eventos, empresas, estudantes e novos profissionais.
O Arena Infra funciona como uma ponte entre essas gerações.
E a Superdrill conecta essa cultura técnica às aplicações reais do Método Não Destrutivo.
Quanto mais conhecimento circular, menos espaço haverá para improvisação.
Quanto maior for a qualificação, mais seguras serão as obras.
E quanto mais jovens conseguirem enxergar toda a tecnologia existente abaixo das nossas cidades, maior será a possibilidade de atrair uma nova geração para a engenharia de infraestrutura.
O futuro do MND no Brasil não será construído apenas por novas máquinas. Será construído por conhecimento, engenharia e profissionais preparados para utilizá-las corretamente.